Silêncios que adoecem
“Ela sabia que precisava falar, mas engolia cada palavra até que se tornasse silêncio. O silêncio? Cresceu e se instalou como sombra permanente no quarto de sua alma.” O silêncio não é apenas ausência de som. Ele pode ser um abrigo — ou uma prisão. Um espaço onde a dor se esconde, se camufla, se disfarça de normalidade. E, aos poucos, adoece. Não é a voz que dói, nem a palavra não dita. É a insistência do nada, o eco do que poderia ter sido dito, mas foi calado. O silêncio tem peso. O silêncio consome. E, quando percebemos, ele já moldou a vida inteira. Ela viveu anos acreditando que o silêncio era proteção. Proteção contra o julgamento. Contra a rejeição. Contra o medo de desagradar ou de ser esquecida. Mas, ao fim de tantos dias e noites guardando o que não podia ser falado, ela percebeu que o silêncio que a protegia também a aprisionava. Cada palavra engolida tornou-se um grão de areia na ampulheta da alma. Cada segredo escondido, um tijolo na parede que isolava...