Quando Tudo Desmorona
Poema 1 Quando tudo desmorona, não é só o mundo lá fora que rui — é por dentro que os escombros gritam. é o corpo presente, mas a alma distante, pedindo trégua num idioma que ninguém entende. É acordar com o peso do invisível pendurado no peito, e ainda assim levantar, sem saber pra quê, sem querer pra onde. É se arrastar por dentro de uma vida que não encaixa, vestindo sorrisos trincados pra não assustar quem olha. Ninguém vê a rachadura. ninguém ouve o cansaço. mas ele mora ali — na falta de ânimo, no travesseiro úmido, no silêncio que ninguém pergunta. Há dias em que até respirar parece um esforço inútil. e mesmo assim, a gente respira. Não por esperança, mas por teimosia. por aquela parte da alma que, mesmo exausta, ainda sussurra: “aguenta só mais um pouco.” E a gente aguenta. com as mãos calejadas de lutar contra o nada, com o peito em ruínas, mas com um fio de luz preso entre as costelas. Uma luz frágil, quase apagando, mas viva. E é ela que ...