Quando Tudo Desmorona
Poema 1
Quando tudo desmorona,
não é só o mundo lá fora que rui —
é por dentro que os escombros gritam.
é o corpo presente,
mas a alma distante,
pedindo trégua
num idioma que ninguém entende.
É acordar com o peso do invisível
pendurado no peito,
e ainda assim levantar,
sem saber pra quê,
sem querer pra onde.
É se arrastar por dentro
de uma vida que não encaixa,
vestindo sorrisos trincados
pra não assustar quem olha.
Ninguém vê a rachadura.
ninguém ouve o cansaço.
mas ele mora ali —
na falta de ânimo,
no travesseiro úmido,
no silêncio que ninguém pergunta.
Há dias em que até respirar parece um esforço inútil.
e mesmo assim,
a gente respira.
Não por esperança,
mas por teimosia.
por aquela parte da alma
que, mesmo exausta,
ainda sussurra:
“aguenta só mais um pouco.”
E a gente aguenta.
com as mãos calejadas de lutar contra o nada,
com o peito em ruínas,
mas com um fio de luz
preso entre as costelas.
Uma luz frágil,
quase apagando,
mas viva.
E é ela que nos mantém:
a memória de que já fomos inteiros.
a fé de que, talvez,
possamos ser de novo.
Mesmo quebrados.
mesmo mudados.
mesmo depois do fim.
"Alguns poemas precisam ser reescritos, porque o silêncio entre as linhas pediu novas formas de dizer o indizível."
Poema 2
Quando tudo desmorona,
não é só o mundo que cai —
é a gente também que quebra,
em silêncio,
sem som,
sem alarde.
É a fé que escapa pelos cantos,
o riso que não vem,
a vontade de sumir pra dentro de si
e ficar lá —
onde ninguém exige nada.
São dias cinzas demais
pra quem carrega o peito em desordem
e tenta sorrir
pra não preocupar ninguém.
Mas mesmo na queda,
tem algo que resiste.
um sopro.
um fio.
uma faísca teimosa de esperança
que não se deixa apagar.
E é nela que a gente se segura.
mesmo sem saber como,
mesmo sem saber por quê.
Porque a alma, ainda que cansada,
ainda quer florescer.
mesmo depois da tempestade.
mesmo com os galhos tortos.
mesmo ferida.
E isso —
isso já é
um começo.
MahDur


Comentários
Postar um comentário